Amor, felicidade e Missão de vida

Às vezes questiono-me acerca da minha Missão nesta vida. O que é suposto eu ser/fazer enquanto estou cá? O que é que eu tenho para dar a este universo que me recebe?

Ainda não descobri, nem sei se algum dia descobrimos totalmente qual é a nossa função, mas sei que seguramente será para mais para o lado do amor do que para a maldade, pelo menos assim espero!

Não sei em que é que acreditam, mas eu acredito que vim com uma missão e que todos temos uma missão nesta vida. Fomos o espermatozoide mais rápido por algum motivo. Tem dias em que sinto que a minha missão será algo grandioso, mas, em outros dias acredito que serão coisas simples, como por exemplo, ajudar os que me rodeiam, perdoar e amar intensamente todos os que partilham os dias comigo.

Acredito que todos podemos mudar a vida daqueles que nos rodeiam e isso está em coisas simples, em estar disponível para ouvir mais e julgar menos, em ajudar sem esperar nada em troca e uma serie de outras coisas que nos tornam luz na vida dos outros. Acredito que estas pequenas coisas são certamente gestos que tornam as missões mais simples em missões grandiosas e é assim que encaro cada dia da minha vida.

Tenho vivido por ventos e tempestades sempre em busca de uma missão, mas hoje acredito que não preciso de a identificar porque serei capaz de a realizar quando o momento chegar, e também poderá ser essa mesma a beleza da vida e de ter uma missão na vida.

Gosto de pensar que o amor vence tudo, sei que nem sempre é assim, mas também sei que o destino sempre dá um jeito de juntar aqueles que se amam e acaba por nos colocar no rumo certo para a nossa missão. Por vezes andamos tão envolvidos no nosso dia e nos nossos problemas que nem paramos para pensar nestas coisas e depois parece que o tempo passa e chega o dia em que refletimos e percebemos que perdemos o rumo e o sentido da vida.

Um destes dias li que nos habituámos a querer que tudo seja grandioso e nos esquecemos que a verdadeira felicidade está em coisas tão simples que nem sempre nos apercebemos delas. Refleti sobre isso e percebi que, tal como a felicidade, a nossa missão e o amor também são um pouco assim, estão em pequenas coisas que juntas fazem algo grande e bonito.

Descobri que a minha missão talvez seja nunca saber qual é a minha missão (e está tudo bem) e que o amor tem tanto de discreto quanto intenso e podem vir mil tempestades porque quando é para ser nada consegue destruir o amor e muito menos desviar-nos da nossa missão de vida.

 Descobri que a minha missão deverá ser o que me faz feliz, por isso a minha missão é a minha felicidade, e como o que me faz feliz é fazer os outros felizes essa deverá ser a minha missão, ou talvez não, e está tudo bem, porque quando o momento chegar vou saber identificar.

Descobri que o amor é um momento, tal como a felicidade, o amor é acordar com sol, mas estar preparada para a chuva, e amar a chuva da mesma forma que amo o sol. Amor é um bolo de canela, um café, um chá ou até um copo de água com um comprimido que precisamos tomar, porque isso são as pequenas coisas que nos mantém cá, isso é amar, amar a vida. Amor é perguntar “estás bem” e receber de resposta “hum, hum” e um abraço e mesmo sabendo que a pessoa não está bem sorrir e aceitar e respeitar o espaço e tempo que precisa.

Com amor,

Mar Santela

O meu irmão

Queria falar-vos do meu irmão, queria porque preciso falar sobre isso, porque ter irmãos não é sempre um mar de rosas e a minha relação com o meu irmão está bem longe disso.

Começo por explicar que sou a filha mais nova de uma família grande que durante muitos anos foi unida até a Morte nos bater na porta. Desse dia em diante passámos todos a ser um indivíduo e não um grupo, passámos a ser quase como desconhecidos. Quando isto aconteceu as únicas pessoas a viver na casa dos pais era eu e o meu irmão, seria de pensar que a dor nos iria unir, mas não foi assim. A dor só nos afastou e deu origem a mais dor e sofrimento do que seria suportável.

Quando a Morte bateu na nossa porta os dias ficaram tristes, cinzentos e intermináveis. Passámos a acordar apenas para sobreviver, acabaram-se os risos, a música e os bons momentos e começou um inferno sem fim. O meu irmão começou a destruir-se, e com ele levou tudo o que ainda poderia ter sido luz.

A bebida tornou-o amargurado e infeliz e com a amargura dele veio a minha. Ele odiava-me, ainda me odeia, ele acha que a Morte foi por culpa minha, ele olha para mim e vê o carrasco e faz questão de me dizer isso em todos os dias que me cruzo com ele, diz sem dizer o que ainda doi mais.

Já falei aqui que deixei a casa dos meus pais e fiquei sozinha o que não falei foi sobre o motivo disso ter acontecido. Os dias em casa dos pais eram intermináveis, todos os dias havia dor, lágrimas e sofrimento e um dia ele, o meu irmão, disse-me que ninguém gostava de mim e que ninguém me queria na casa dos pais. Calmamente explicou-me que não deveria lá voltar, e eu fiz-lhe esse favor, saí e nunca mais voltei, bom pelo menos enquanto ele lá viveu.

Mas o meu irmão continuou a viver sustentado pelo meu pai, e estava tudo bem, pelo menos ele não tratava o pai mal, mas um dia ele casou e nesse dia a história ficou ainda mais escura, tipo filme de terror. O meu irmão e a mulher começaram a tentar extorquir o meu pai. O meu pai, um homem que sempre foi independente e que amava aquele filho (o único herdeiro homem que tinha e que ia continuar com o seu negócio) ficou com medo deles, ficou doente por conta deles. Nesse dia eu voltei, engoli o orgulho ferido e tentei chamar o meu irmão à razão, mas não valeu a pena.

A história é longa e por isso vou encurtar alguns detalhes tristes (se quiserem um dia conto alguns) no final acabou por entrar polícia e desde esse dia o meu irmão não voltou a aparecer, deixou de trabalhar com o pai e desapareceu. Já passaram alguns meses e, por questões legais, entretanto deverei cruzar-me com ele e com a insuportável mulher dele, não sei como vai ser, tenho medo do reencontro, mas quero que ele aconteça porque, por incrível que pareça, tenho saudades dele e quero saber se está bem.

Sei que ele não me vai falar, e se falar vai ser para me insultar, mas está tudo bem, eu não esqueço tudo o que se passou, mas não posso deixar de o amar na mesma porque é meu irmão, e apesar de me ter falhado na altura que mais precisei dele (outra história que não sei se algum dia terei coragem de contar) não posso deixar de me preocupar. Não sei se algum dia ele vai deixar de me culpar por ter nascido, mas está tudo bem, eu aceito isso e vivo com isso, porque como sempre digo quem sabe a dor que sente é quem passa pelas coisas. Sei que ele é uma pessoa doente e lamento não ter conseguido ajuda-lo a superar isso, mas não posso e não vou continuar a culpar-me pelo que não consegui fazer.

Eu sei que este texto não é alegre, porque a história também não é feliz, mas é real e queria mesmo contar o que aconteceu para vos dizer que a família não é perfeita, mas não deixa de ser família e por mais que nos magoe é impossível deixar de amar alguém que sempre fez parte da nossa vida. Às vezes a única coisa que podemos fazer para ajudar alguém é aceitar, aceitar a dor, aceitar as circunstâncias, os momentos e os espaços das pessoas e também aceitar que existem coisas que não podemos mudar nem controlar, mas que vão fazer parte da nossa história para sempre e vão marcar a nossa personalidade até ao final das nossas vidas.

Sejam felizes e aceitem o que não podem mudar

Mar Santela

Mar Santela

Um destes dias recebi uma mensagem de alguém que me lê (certamente é boa pessoa para ler o que escrevo), na mensagem dizia que achava que me conhecia, ou melhor, que conhecia a pessoa que estava por detrás da Mar. Eu sei que não conhece, sei porque até ao momento nenhuma pessoa do meu mundo real me segue nesta aventura virtual (nem sei como vou reagir quando isso acontecer). Mas, também sei que mesmo não sabendo a minha verdadeira identidade, quem me lê acaba por me conhecer melhor do que as pessoas que estão comigo todos os dias.

São poucas as pessoas a quem me mostro, o que deixo aqui são pensamentos e ideias que muitas vezes não consigo dizer em voz alta, são os pedaços mais puros daquilo que eu sinto. Aqui sou mais real do que na minha vida real (salvo seja, porque esta também é a minha vida real), mas aquela mensagem deixou-me a pensar que nunca falei de quem sou, quem realmente eu sou, o meu EU que às vezes tenho de procurar e resgatar lá do fundo escuro em que me encontro.

Eu sou seguramente a pessoa mais idiota, palerma e incoerente que conheço, e adoro ser assim. E não me interpretem mal, digo que sou incoerente apenas porque muitas vezes penso uma coisa e faço o oposto, isto acontece porque tenho uma dificuldade imensa em dizer que não (isto é uma batalha que tenho vindo a travar e um dia vou conseguir dizer não sem me sentir culpada).

Carrego em mim marcas e cicatrizes que me poderiam ter tornado numa pessoa cinzenta e amargurada, mas, sabe lá Deus como, eu consegui transformar tudo isso em aprendizagem e amor. Amor próprio e amor pelos outros, sou muito grata por ter algumas pessoas na minha vida, amo aquilo que sou, ainda que, às vezes, isso me deixe completamente na merda por ser demasiado ingénua e generosa com quem não merece.

Adoro acordar na minha casa pequena e humilde, mas cheia de amor e de pequenos detalhes que me fazem feliz. Adoro acordar e olhar para o amor da minha vida e saber que, ainda que a nossa vida seja difícil vamos sempre remar juntos. Adoro acordar com o bafo da minha cachorra e as maluqueiras dos meus gatos (sim sou uma apaixonada por animais, são todos resgatados, são estrelas numa rede social, e só não temos mais porque a casa é pequena senão seriamos um Zoo). Adoro cada maluquice que invento e que no final sempre corre mal, mas me acaba por divertir imenso. Adoro as minhas amigas, principalmente porque alinham nas minhas idiotices, e temos uma amizade daquelas bonitas que já duram desde a adolescência, daquelas em que por mais tempo que passe continuamos a ter conversas como se nada tivesse mudado.

Adoro a vida, por mais cinzenta e ingrata que ela seja, por mais desafios que se atravessem no meu caminho (um dia conto-vos algumas histórias, mas ainda não recolhi a coragem necessária para isso), por mais maus momentos que possa passar no fim tudo vale a pena. Acreditem que a vida é tão bonita e tão única e especial que merece que olhemos para ela com o mesmo olhar de quem olha para um recém-nascido. Com amor no olhar e gratidão no coração tudo fica mais leve, mais fácil e mais bonito ainda.

Sabem a vida é bonita nós é que às vezes só vemos a parte escura e esquecemos que depois da chuva sempre vem o sol, e com ele vem um maravilhoso arco íris. Já repararam que na primavera chegam as flores e os perfumes naturais mais incríveis, mas para lá chegarmos precisamos de passar pelo inverno frio e rigoroso, a vida também é assim, não podemos ter apenas os dias bons sem querer enfrentar as tempestades. Por tudo isto é importante aprender a amar a chuva para depois brilhar com o sol.

Com amor,

Mar Santela

O Mundo dos julgamentos

Vivemos num Mundo de julgamentos, somos constantemente julgados por tudo aquilo que fazemos, dizemos, sentimos, vestimos, estamos e por todos os pequenos detalhes da nossa vida. O Mundo perdeu a capacidade de olhar para o outro sem julgar alguma coisa nele, nem que o julgamento seja silencioso ele existe.

Sabem é cansativo viver assim, ter de justificar todas as pequenas coisas na nossa existência mesmo que elas não tenham uma justificação, porque, vejamos, o facto de eu não gostar de cebola não tem de ter uma explicação, eu simplesmente posso não gostar, e está tudo bem! Ou deveria estar tudo bem, mas, não está, nunca está tudo bem quando as pessoas nos julgam.

Tenho vivido os meses mais pesados da minha existência por conta de julgamentos, ser julgada por tudo, até o meu silêncio abre portas para o julgamento. E sabem que mais, estou cansada, cansei de ser julgada até por respirar. Cansei de ser julgada por ser e por não ser, por ter e por não ter, por ir e por não ir, sabem esta cultura do julgamento fez com que deixasse de saber quem sou, o que quero e para onde vou.

Durante meses fui julgada de tal forma que fui mudando e tentando adaptar tudo o que fazia para que não passasse pelo julgamento do outro e sabem o que aconteceu? No meio disto tudo eu perdi-me, perdi a minha essência, já não sei quem sou, mudei para que o meu eu agradasse aos outros, e agora quem me julga sou eu.

Hoje escrevo sobre isto, sobre esta caminhada insana que tenho feito no Mundo do julgamento, e faço-o precisamente para dizer que basta! Chega de julgamentos, quem sabe o que se passa é quem vive, chega de maldade, e opiniões da vida alheia, quem sabe o motivo do silêncio é quem fica em silêncio, não tentem inventar teorias para o silêncio dos outros. E se realmente o silêncio de alguém (ou o ruído) vos incomoda, em vez de julgar e teorizar sobre isso perguntem a essa pessoa o que se passa, não julguem o que não sabem.

E aos julgados, como eu, não façam o que fiz, não se calem se querem falar, e não falem se não querem, não sejam ninguém senão vocês mesmos. Nunca mudem por nada nem por ninguém porque para quem vos julga vocês nunca serão suficientes e vão sempre existir novos motivos para vos julgarem. No final das contas a única pessoa que vos pode julgar são vocês mesmos e o que importa é olhar e pensar “sou a melhor versão de mim mesma”.

Digam basta aos julgamentos alheios e sejam felizes como são. E para quem julga os outros de forma consciente e maldosa: comprem um espelho e antes de julgar os outros façam o exercício de olhar para vocês, no final se ainda conseguirem façam o vosso julgamento.

Obrigada por me lerem

Mar Santela

Toxicidade

Hoje quero falar de maldade, pessoas toxicas, pessoas que são tão más que fazem mal aos outros apenas pelo prazer de fazer mal. Pessoas tão centradas em si mesmas que só conseguem pensar naquilo que é bom para elas e esquecem o mal que fazem aos outros. Pessoas que são capazes de deitar alguém de quem gostam a baixo apenas para se sentirem bem consigo mesmas.

Sim, estou furiosa hoje, porque não percebo que diferença faz na vida de alguém tratar os outros com respeito e respeitar a individualidade dos outros. Não consigo compreender porque é que para acenderem a luz deles têm de apagar a dos outros? Expliquem-me lá porque é que para ficarem de consciência tranquila têm de ir desassossegar alguém que acabou de sair do hospital e está a passar por uma luta insana contra uma doença mental? Porra quão má pode ser uma pessoa que faz isto?

Depois do ódio explicado e aceite por mim mesma, odeio sentir-me assim, mas porra as pessoas assim tiram-me do sério, nunca tem ocupação na vida e para se sentir com a consciência limpa tem de incomodar os outros, tira-me do sério. Acho que a necessidade de ter uma vida é tão grande que só é feliz a dar cabo da vida dos outros. O que mais me choca é quando esses outros que incomoda são pessoas que deveriam ser das mais importantes da vida dela.

Também têm pessoas assim na vossa vida? pessoas tão centradas em si mesmas que só conseguem ver o que é bom para elas e fazem o que querem mesmo que isso implique destruir aqueles que amam? Como é que se vive com cobras venenosas que só estão bem a ver a desgraça dos outros? Será que a inveja e o egoísmo são tão grandes que não conseguem ver o mal que fazem? Serão de tal forma falsas que começam por se enganar a si próprias e nem percebem que o fazem? Perguntas e mais perguntas de quem está zangada e cansada de julgamentos e de venenos onde não fazem falta.

Um dia gostava que ela lesse isto, apenas para perceber que as pessoas não precisam de apagar a vela dos outros para que a delas ilumine mais, todos podemos iluminar, todos temos espaço para brilhar, não é por falar mais alto que me ouvem melhor, até porque o grito mais eficiente é o mais silencioso. Não precisas de tratar mal os outros para te sentires bem contigo, porque no final da noite quem vai dormir com a tua consciência és tu, e talvez agora não vejas, mas um dia vais ver que ajudaste a destruir uma das pessoas mais importantes da tua vida, e nesse dia, a tua consciência não te vai deixar dormir, e desse dia em diante vais ver que apagaste uma das velas mais importantes para ti.

Mas enquanto não vês isso vais continuar na tua maldade a tentar destruir uma das pessoas mais bonitas que a vida colocou no teu caminho, porém irás perceber que tens de passar por cima de mim para conseguir isso, por isso, por tudo isso, boa sorte porque não vais conseguir!

Mar Santela

P.s.: hoje estou em versão mandar um recado, pode ser que o universo o transmita, desculpem a negatividade que não me assenta bem, nem é usual, mas hoje foi mais forte que eu. Fiquem bem e não se esqueçam de manter a vela dos outros acesa, porque duas velas iluminam melhor do que uma.

É só um até já

Hoje foi um dos dias mais tristes da minha existência, hoje deixei o amor da minha vida num hospital, ciente de que nos próximos tempos não o vou poder ver, só posso falar com ele por telefone e apenas através do contacto do hospital.

Eu nem sei o que dizer, acho que ainda nem sei o que pensar, sei que é o melhor para ele, mas a dor e a raiva do universo ainda se apoderam de mim. Ele não merecia tamanha tormenta.

Claro, também sei que existem pessoas em situações muito piores, mas sabem ainda sinto o peso de ter lá ficado por ter uma doença mental, ainda sinto o estigma quando tento explicar às pessoas que é apenas uma doença como qualquer outra e que é necessário tratamento e cuidados tal e qual como qualquer outra doença. As pessoas ainda pensam e reagem como se fosse culpa da pessoa. Até quando? Vamos pensar um pouco antes de agir e falar, sabiam que palavras magoam mais do que atos?

Nem sei se o que escrevi faz algum sentido, confesso que estou muito cansada e quis apenas desabafar com pessoas que não julgassem a doença mental (ou se o fizerem eu não saberei). Mais um dia de desabafo, está a ficar recorrente, mas prometo que tão breve quanto possível vos trarei coisas mais positivas, ainda que a vida não seja sempre positiva importa ter uma postura positiva tanto quanto possível.

Com amor, fé e muita esperança num futuro mais positivo,

Mar Santela

Woman with a broken heart illustration

Vivo com uma pessoa com TOC, e agora?

Vivo com uma pessoa com TOC! Não sei se alguma das pessoas que me acompanha por aqui já passou por isso ou conhece alguém na mesma situação que eu. Confesso que demorei muito tempo a escrever este texto. Escrevi e apaguei vezes e vezes sem conta, fiz discursos mentais acerca disto e de como ia expor esta parte tão pessoal da minha vida. No final acabei por ganhar coragem porque acredito que existam mais pessoas na mesma situação que eu e espero que com o que vou escrever possam sentir-se melhor.

Para quem não sabe o TOC é uma doença mental, um transtorno, como o próprio nome indica. Este transtorno ainda acarreta muitos preconceitos, é comum ouvir-se que a pessoa tem “manias”, “pancadas” ou “hábitos” estranhos. Mas o que muita gente não sabe é que é extremamente difícil lidar com a doença e com quem tem a doença.

Nós, família, pessoas que vivem com alguém que tem TOC temos dias muito difíceis pela frente, cada dia é uma batalha numa grande guerra que ninguém quer perder. Sentimo-nos sozinhos, choramos em silencio e sorrimos para ninguém perceber a dor que trazemos connosco todos os dias. Dói, dói muito saber que alguém que amamos luta contra um inimigo que nós não vemos e que não podemos mandar embora. É ingrato ficar como mero assistente de um filme de terror que é TOC e não poder chegar e mandar o vilão embora com dois murros como num filme.

Todos os dias sinto que estou sozinha, mas isso não é problema, pois como já referi, já tenho mais selos no meu passaporte de histórias de vida do que aqueles que desejava ter. O verdadeiro problema é o sentimento de impotência e de culpa que me assola a cada crise que surge do nada e sem motivo aparente. Vivo com medo de despoletar uma crise e com ansiedade pela próxima crise que virá e que não posso impedir que chegue e pelas consequências que ela trará. Estou cansada, não consigo dormir, não consigo pensar e sinto que perdi muitos anos de vida.

Tenho medo, muito medo do futuro, tenho medo de falhar, medo de errar, medo de não ser capaz. Enfim, hoje foi mesmo apenas um desabafo dos meus dias. Talvez um dia este desabafo possa ajudar alguém.

Se tem algum tipo de transtorno peça ajuda, não existe nenhum problema em pedia ajuda, antes pelo contrário é um sinal de grandeza muito grande que será muito importante para o seu futuro.

Sejam felizes, porque a felicidade não é uma constante, a felicidade é um momento, às vezes num dia escuro um raio de sol é a felicidade a sorrir, deixem-na sorrir.

Com amor,

Mar Santela

Ainda existe esperança!

Hoje queria contar-vos uma história que não aconteceu comigo, mas que podia ter acontecido. Uma história simples que mudou a vida de alguém e mudou a minha também. Uma história que me mostrou que ainda existe esperança neste mundo pequeno e cinzento.

Um amigo que está a passar por uma fase complicada da vida dele saiu de casa para ir ao supermercado, não saia de casa fazia quase duas semanas, está deprimido e numa luta constante contra os maus pensamentos. Depois de muito insistência lá saiu de casa para ir às compras.

Fez as suas compras e dirigiu-se à caixa para pagar, ao efetuar o pagamento o cartão de multibanco não funcionou, dirigiu-se ao ATM mais próximo, ainda dentro da loja, inseriu o cartão e o ATM emitiu um aviso de que o cartão estava retido e tinha que se dirigir ao seu banco para resolver o problema.

Naquele momento, o meu amigo, perdeu toda a esperança que lhe restava, voltou à caixa para avisar a funcionária do que tinha acontecido, explicou que teria de deixar as compras para outro dia. Dirigiu-se à porta para abandonar o supermercado. Nesta altura um homem aproximou-se dele e disse-lhe que fazia questão de lhe pagar as compras, ele não ia voltar sem aquelas coisas para casa.

O meu amigo insistiu que não era necessário que o senhor lhe pagasse as compras e que voltaria mais tarde, mas o homem insistiu, foi para a caixa do supermercado, pagou as compras e deu-lhe o saco. O meu amigo pediu ao homem que lhe desse o contacto para que ele lhe pudesse devolver o dinheiro, o homem prontamente lhe disse que não queria o dinheiro. O senhor explicou que naquele dia quem precisava era o meu amigo, mas um dia seria outra pessoa. O homem quis apenas que ele retribuísse o gesto para alguém que precisasse.

Aquele homem, naquele dia, naquele supermercado, salvou uma vida, salvou a vida do meu amigo. Se aquele homem não tivesse aparecido o meu amigo sairia daquele supermercado sem as compras e nunca mais teria esperança de que poderia recuperar, o mundo dele teria desmoronado ainda mais. E não é que as compras fossem fundamentais para a sua sobrevivência física, mas aquele gesto foi seguramente fundamental para a sobrevivência psicológica dele.

Por isso, sempre disse e cada vez acredito mais que os pequenos gestos mudam vidas. Aquele homem, a quem eu serei eternamente grata, devolveu um pouco de esperança ao meu amigo. Penso que ele nunca saberá o quão importante foi aquele gesto naquele momento e espero que o universo lhe devolva em dobro o bem que ele fez.

Sejam generosos, porque hoje pode ser uma pessoa na vossa rua que necessita, mas amanhã podem ser vocês e por mais insignificante que um gesto seja para vocês ele pode, mesmo, mudar a vida de alguém.

Hoje aquele homem desconhecido devolveu um pouco de esperança ao meu amigo, mas a mim devolveu-me a força necessária para acreditar que ainda existe bondade e generosidade no mundo. Por isso, por tudo isso, e sei que nunca saberá que é para si, mas queria muito que soubesse que sou grata por ter aparecido naquela fila de supermercado, naquele dia, naquela hora e ter ajudado alguém sem esperar algo em troca. Gratidão eterna por ter sido luz num mundo de trevas em que vivemos, seja feliz, seja abençoado todos os dias da sua vida, o senhor é especial.

Obrigada

Mar Santela




Acredita

Gosto de ti, gosto das tuas coisas, das tuas ideias, dos teus defeitos, das tuas virtudes, gosto de ti.

Sei que esta fase é difícil, que tudo parece cinzento, que os dias parecem noites e as noites parecem infernos insuportáveis. Gostava de conseguir ajudar-te, mas nem sempre consigo. Gostava que te visses pelos olhos das pessoas que te amam, irias perceber o quanto amamos e acreditamos que vais conseguir vencer tudo aquilo que o universo te coloque pela frente.

Sabes, sempre soubeste, que escrever poesia palerma ( como eu lhe chamo) é uma das coisas que mais me ajuda a superar todos os momentos tristes e negativos pelos quais já passei ( e também sabes que foram muitos, muito mais do que as pessoas pensam ser possível suportar em tão curto período de existência). Hoje escrevi para ti, e uma das poucas vezes em que aceitei que os lessem, não quero nem saber se vão achar mal escrito, sem nexo, ou o que quer que seja, porque já faz muito tempo que não me importo com opiniões negativas.

Quero que saibas que estou aqui, e vou estar sempre, sei que vais conseguir vencer, mas também sei que tens de acreditar em ti, e porra, eu sei que isso vai acontecer mais cedo do que tu pensar ser possível, e desse dia em diante, meu amor, serás imparável.

Mar Santela

Chuva de convites do Facebook

Nestes dias de isolamento tenho aproveitado para divagar um pouco pelas redes sociais, sem grande rumo, apenas percorro e vejo o que se anda a fazer e a dizer. Ultimamente vi muitos pequenos empresários a pedir likes na esperança que isso possa ajudar a minimizar um pouco os prejuízos que têm tido. Confesso, também o fiz, também pedi likes e também convidei amigos a gostar de coisas e faria novamente, porque amor rende amor.

Mas isto não é o ponto, o ponto que quero falar é dos missionários da desgraça, o pessoal entendido em marketing digital (pelo menos no papel) vem logo deitar a baixo quem fez isso, explicam que isso não é eficaz e “bla bla bla”. Amigos, sim muitos são meus amigos, pode não resultar, mas já pararam para pensar que se ajudar uma pessoa que seja já valeu a pena?

Mais, já pararam para pensar que as pessoas precisam de ter esperança? Já pensaram que para esses empresários foi um dia em que tiveram uma coisa para festejar (antes de vocês lhes passarem um atestado de burrice e os deitarem a baixo)? Já pensaram, em vez de os criticarem e de se mostrarem superiores, fazer algo que os ajude, como passar os vossos conhecimentos, sem lhes pedirem fortunas que agora não têm para vos pagar?

Mais amor, pensem nos outros, antes de criticarem e deitarem as pessoas a baixo, parem, pensem e reflitam coisas como: O que posso eu fazer para ajudar? Será que não existe nada que possa fazer para minimizar o prejuízo que estão a ter?

Devíamos todos aprender alguma coisa com o COVID, e uma das coisas fundamentais que devíamos aprender era a ser mais humildes, a pensar mais nos outros.

Infelizmente vejo que algumas pessoas continuam a tentar ser superiores aos outros e não aprendem nada com isto, não evoluem, não se tornam melhores. Não pensam por um minuto que seja que se eles estão bem, na casa do lado pode estar alguém que não recebe um tostão desde o início da pandemia e que mesmo assim tem de pagar ordenados para garantir que outras famílias estejam bem.

Para a malta dos marketings digitais, não critiquem quem não sabe, não desmotivem quem faz aquilo que acha melhor, ensinem, ajudem, aconselhem, deem a mão. Vale lembrar que muitos desses empresários um dia foram ou serão vossos clientes e se esses espaços fecharem vocês também perdem. (E antes que me ataquem, sei que existe muita malta dessa área a ajudar outros e a dar dicas gratuitas, para esses o meu muito obrigada e os meus parabéns por serem valentes seres humanos, acreditem que no fim ficarão a ganhar)

Enfim, tudo isto para dizer que espero que as pessoas aprendam a ser melhores umas com as outras, a dar mais amor sem nada pedir em troca. Toda a minha vida as pessoas me dizem que recebemos sempre em dobro o que damos aos outros, damos o bem recebemos o bem, damos o mal e o mal será a recompensa.

Mais amor, por favor. Sejam felizes.

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